Olá,



quero contar algo que aconteceu comigo nesses últimos tempos que me fez refletir sobre como lidamos com frustrações e que muitas vezes levam ao consumismo.  Eis a história:

A uns meses atrás conheci no trabalho uma mulher, mãe de adolescentes, separada, muito animada, de bem com a vida, baladeira e vaidosa até o último fio de cabelo! Gastava fortunas com roupas, cosméticos, tratamentos estéticos e baladas. Não tinha grandes dívidas, mas também não tinha nada guardado. Vivia me dizendo que só se vive uma vez e que se eu morresse amanhã não levaria nada do que estou acumulando... clássico discurso de gastadores, não é verdade? 

Em uma segunda feira, ela chegou atrasada ao trabalho, com cara de ressaca, mas o que mais se destacou é que parecia bem triste. Perguntei sobre o final de semana, brinquei com o fato de estar de ressaca, mas o sorriso foi amarelo. Perguntei se estava tudo bem e, nesse momento, desabou a chorar.

Começou a contar que no sábado estava numa festa e bebeu demais, a ponto de ter que ir pro hospital. Passou o domingo em casa, sozinha. Viu seus filhos perguntando porque a mãe fazia isso. Sentiu a pior das ressacas: a moral. Aquela que você sente quando se arrepende de ter falado ou feito algo que você não faria se não estivesse bebido. Enfim... a conversa continuou...

... no meio das lágrimas dizia que não era isso que queria pra vida dela e que antes tinha uma vida toda planejada: casou-se, teve os filhos com a idade que quis, comprou apartamento... tudo como manda o figurino. Até que o casamento não deu certo, se viu sozinha com duas crianças ( à época ) e o planejamento desmoronou. Teve que lidar com essa nova realidade na marra. Os familiares eram mais julgadores que apoiadores e os amigos só estavam presentes para ir a balada. Quando queria conversar com alguém e desabafar sobre os problema dessa nova vida, ouvia como resposta: "Deixa disso! Você tá cheia de saúde, com filhos lindos, trabalhando... para de reclamar! Você não tem motivo para isso! Tudo passa!".  Ela passou - e continua a passar - por uma situação difícil, de grande mudança, e não teve apoio de ninguém. No final das contas,  aquela pessoa que parecia super de bem com a vida, era alguém que preenchia esse vazio de apoio por gastos com cosméticos e festas.

Diante desse caso, fiquei refletindo sobre como as pessoas podem gastar montanhas de dinheiro para compensar as coisas ruins que acontecem nas suas vidas. Essa recompensa automática que o consumo traz é muito traiçoeira. Ela pode não só destruir sua saúde financeira mas a sua saúde mental, escondendo um problema mais profundo do seu ser. 

Além disso, ficou ainda mais claro para mim como precisamos das pessoas à nossa volta. Por mais fortes que sejamos, em algum momento precisaremos de apoio. Construir uma relação saudável, honesta e sincera com bons amigos e familiares é um ativo importante nas nossas vidas. Reconhecer quem são esses bons amigos e dá-lhes valor e atenção é fundamental. É sempre bom ter alguém com quem contar e confiar.

Espero que não julguem esse relato. Todos temos dias ruins. Escrevi para que pudéssemos refletir sobre a importância das pessoas que estão presentes na nossa vida. Será que está dando valor e atenção àquela sua amizade de muitos anos? Como está relação com seus pais? E com seus irmãos? Enfim... cuidem das suas relações! Elas valem mais do que dinheiro!

Nos veremos em breve.

8 Comentários

  1. Seu artigo se resume em viver de aparências. Com certeza isso é muito comum, independente se vem de pessoas gastadoras ou não.
    Nem sempre é apenas pra preencher vazios, muitas vezes demonstrar sucesso e alegria pros outros é raíz dessa questão.

    Depois da populariação das redes sociais esses comportamentos passaram a ser ainda mais evidente, reforçado em alguns casos pela leiura de conteúdo motivacional, acompanhamento de coachs etc, que martelam de certa forma a ideia do ser humano que se mostra "inabalável".
    Pelo lado das mulheres o conteúdo de viés feminista faz com que muitas mulheres comprem a ideia de mulher independente e empoderada como aquela que quer abraçar o mundo sozinha.

    O resumo de tudo isso, as vezes é esse aí. Não porque eu seja melhor que ela, todos nós podemos passar por situações semelhantes a essa, porém não devemos mentir pra nós mesmo, temos que procurar viver com equilíbrio e em muitos momentos cautela.

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    1. Olá, anon.

      eu particularmente não resumiria ao simples fato de "viver de aparência", como q acontece com qualquer blogueirinha no instagram que mostra uma vida que não tem.
      Não sei se deixei claro no texto, mas pra mim, parece que o consumismo está compensando a dor de um problema pessoal.
      Sobre o viés feminista, eu não tenho como concordar. Sou uma mulher feminista, independente e escrevi esse texto dizendo que todo mudo precisa de alguém. Não quero abraçar o mundo sozinha, quero curtir o mundo com meu marido <3

      Concordo que não devemos mentir para nós mesmos, mas uns conseguem lidar com cautela ( como vc e eu) e outros precisam de um ombro amigo pra desabafar. Cada um tem uma forma diferente de lidar e, se precisar de ajuda, de apoio, de uma conversa, não é frescura.

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    2. Acho que meu comentário pode não ter sido claro. Sobre viés feminista: Não generalizei, citei no texto que há mulheres que entendem que empoderamento é curtir a vida "adoidado" em todos os sentidos e isso pode ter consequências boas ou não.
      A solidão ainda que transitória pode ser o efeito colateral de uma escolha desse tipo.
      Há ainda feministas que descrevem todos os homens como tiranos e que relacionamentos com homens são totalmente dispensáveis.
      Sei que são extremismos, mas existem.

      Se não é o seu caso tudo bem. E tomara que seu casamento continue bem sucedido, hoje tem cada vez mais militantes
      anti relacionamento homem X mulher principalmente na internet.

      Por fim, não disse que o caso acima era frescura, nem disse que uma conversa sincera seja dispensável. Pelo contrário sei perfeitamente que ninguém está 100% protegido dos mais variados tipos de problemas.
      Inclusive completei meu raciocínio no comentário abaixo.

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    3. Oi Anon,

      Sobre o viés feminista, nunca chegou até a mim algum artigo ou palestra que incentivasse o curtir a vida adoidado ou "anti relacionamento" (na verdade, essa foi a primeira vez que vi esse termo rsrs).
      de fato, você não disse que era frescura e nem foi minha intenção imputar essa fala a vc. Eu só citei isso como exemplo.

      abcs.

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  2. Com relação as relações pessoas, entramos num terreno nem sempre fácil.
    Veja o caso da mulher em questão, aparentemente provavelmente é uma pessoa popular, mas em momentos de crise o que sobra disso?
    Eu mesmo sou um cara mais na minha e sei que isso pde pesar em alguma situação, principalmente com o avanço da idade.
    Mas tem muita gente que conhece bastante gente e acha que está seguro com relação a isso, as na verdade não está, se peneirar as vezes não sobra ninguém.
    Relações pessoais pdem ser as melhores e piores surpresas e não há regras claras e nem garantias absolutas, esse é aspecto da vida que pode exigir mais sabedoria da gente.

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    1. Olá, anon.

      Exatamente! Muitas vezes temos muitos pessoas em nossa volta e quando precisamos não temos ninguém. E muitas vezes, deixamos de cultivar amizades e relações verdadeiras por que estamos com preguiça, ou porque "sou mais na minha". Eu também sou, tenho pouquíssimos amigos, mas tento cultivar essas amizades. Com a facilidade de comunicação, a galera manda "zap" e deixa de se encontrar com o amigo, como se só essa mensagem compensasse e, ao meu ver, não compensa. Com certeza, não há regras claras em relações pessoais. O texto é só um lembrete pra cultivar as relações frutíferas, caso tenham, pq um dia podemos precisá-las.

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  3. FFF,
    Isso é mais comum do que imaginamos. Arrisco a dizer que é a regra. A exceção é termos uma vida saudável em termos de relacionamentos, financeiros e físicos. Deveria ser o contrario mas não é. Quem vc conhece que tem esses três pilares em ordem? Se tiver, dá pra contar nos dedos. Ou as pessoas tem problemas de saúde, ou financeiro ou de relacionamentos. Isso quando não tem os três.

    Mas entendi o contexto que vc colocou. Não só no consumismo esconde tristezas. Pessoas que julgam as outras tb estão doentes, pessoas que só guardam dinheiro e não vivem tb estão doentes, pessoas que só gastam sem pensar no futuro idem..... Ou seja, vivemos numa sociedade doente.

    O mais importante é fazer aquilo que te faz realmente feliz. Acredito que os excessos fazem mal. A natureza está aí para nos mostrar muita coisa. O que acontece se uma pessoa comer, comer, comer e comer??? Logo fica cheia e triste. O que acontece se uma pessoa não comer? Vai morrer de fome. O que isso nos mostra? Que o equilíbrio acaba nos trazendo o bem estar. Guarde um pouco de dinheiro, mas tb usufrua um pouco. Saia com os amigos, mas tb dedique tempo aos filhos e ao parceiro ou parceira. Assim como é importante termos tempo para nós.

    Consumir não é ruim....mas consumir demais pode trazer grandes prejuízos. Se mostrar demais, expor toda sua vida, não deve ser tão bom assim, mas viver escondido do mundo tb não..... Vamos agir com equilíbrio em todos os aspectos da nossa vida.

    Abs e bons investimentos

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    1. Olá Kspov,

      verdade. Nessa história, os problemas foram escondidos pelo consumismo, mas tem gente que usa drogas nessas situações.

      Como vc disse, o equilíbrio é fundamental.

      Obrigada pelo seu comentário.

      Abcs e bons investimentos.

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